“Carnavalizou e… O ano começou”

Há quem diga que o ano começa apenas depois do carnaval. Mesmo quem não participa da festa nos blocos ou desfiles espera esta data para poder ficar “offline”. Desde que as sociedades se configuraram houve a necessidade de uma festa, de alguns dias no ano, onde os sujeitos pudessem possam se despir de seus problemas e dilemas para vivenciarem os prazeres de gozar do corpo e das insignificâncias da vida.
Mas, há possibilidade de se despir de tudo o que lhe representa, vestir uma máscara ou fantasia que lhe caiba tão bem que lhe permita ser outra pessoa? E, o que fazer depois que o carnaval passar?

Carnavalizou
Se foram as tristezas e pendências
O ano passado acabou
E eu, para onde vou?

Vou colocar minha fantasia
Muito brilho, cores, só alegria!
Que se dane a tristeza, as dívidas, dessabores e agonia!
Quero viver toda a intensidade que me permite essa vida.

Muita música, bebida, comida
Amores…. muito mais do que me cabia
Todo mundo ria
Mas, o fim da tarde de terça acenava com ironia.

A noite clareava e, meu Deus!
A festa da carne acabou
A quarta-feira de cinzas chegou.

No seu espectro de preto e branco
Todo o brilho se lavou
Tentei tirar minha fantasia
Mas, percebi que nenhuma ali havia
Eu estava nu!
Evitando os reflexos e reflexões das máscaras que visto todos os dias
Dias Santos…
Para conviver com meus prantos.
Onde é que eles estavam?
Ou melhor, para onde eu e eles iremos?
Cadê a euforia, os amores e sabores, as rimas?
Que desencanto!
Aqui dentro ainda mora a magia daqueles dias
O que eu devo fazer é regar essa semente dia a após dia.
Tudo o que faz bem não dura pouco
Tem o tempo da existência da sanidade, para não nos deixar loucos.
Na grande avenida da vida nos cabe o barulho ou som de quantos trios elétricos desejarmos.
Na carne que vivemos cabem as ressacas, fantasias, brilho e suor que implicarmos.
Os confetes e serpentinas nos cabem serem jogados ao ar ou ficarem caídos ao chão.
Um feliz ano novo,
De novo.

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Psicanálise