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Dia Mundial da Infância: Algumas Considerações sobre a Psicanálise com Crianças

“Uma alta porcentagem de consultas é motivada, ao que parece, por “distúrbios escolares”. Se existem dificuldades escolares de origem puramente pedagógica, também não deixa de ser verdade que esse sintoma encobre, quase sempre, outra coisa. É não entendendo ao pé da letra o pedido dos pais que o psicanalista permitirá que a porta se entreabra para o campo da neurose familiar, dissimulada, fixada no sintoma do qual a criança se torna o apoio.” (MANNONI, Maud – 1923).

Em teoria psicanalítica, é sabido que, são raros os escritos clínicos entendidos como registros de sessões infantis. Todavia, a documentação verbal e gráfica que Freud nos deixou de seus principais casos com crianças, o Pequeno Hans e o Homem dos Lobos, muito lhe serviram como fonte de pesquisa e desenvolvimento de algumas noções e pilares da psicanálise, como por exemplo, os mecanismos de defesa das estruturas psíquicas nas neuroses de angústia, fobias, conversões histéricas, bem como, ruminações e cerimoniais obsessivos. Tais clássicos, nos fornecem base de consistência para segmentar uma clínica de fundamentação teórica e pesquisa técnica.

No que confere ao tratatamento infantil, em especial, se faz necessário lembrar que, crianças não marcam consultas. Os pais marcam para falar de um filho, que muitas vezes está à margem e desconhece o movimento dos pais em contactarem um psicanalista. Nesse sentido, questões relativas à demanda e o desejo são postas na mesa, a partir do discurso parental que aparece em cena na primeira instância. Na escuta dos pais, nossa investigação volta-se para a tentativa de compreender se a criança apresenta uma demanda – um sintoma clínico, ou se ela é apenas a manifestação sintomática da sua família, ou presentifica sintomas de estrutura que surgem no processo de subjetivação – sintoma de infância.

Em entrevistas preliminares com os pais, quantas são necessárias? Não existe uma fórmula ou um padrão a ser seguido, o único imperativo a ser posto é: muito Acolhimento. Acolher esses pais que decidem lhe procurar para mostrar sua ferida narcísica mais dolorosa: ter um filho com problemas. A nós analistas infantis (dou ênfase à tal clínica com crianças e adolescentes, uma vez que ela só é possível, a partir da vinculação com os pais), não nos cabem julgamentos morais e de valores, o lugar de juízes, tampouco, nos posicionar, tomar partido, rivalizar com algum discurso. O Outro só dá o que tem e o que pode dar. É através desse olhar clínico de respeito e ética à subjetividade, ao Inconsciente e à história de vida de cada sujeito, que repetições de sintomas transgeracionais e familiares podem ser interrompidas.

Ao adentrar de modo efetivo na linguagem, a criança fala de si na terceira pessoa; afinal, ela é a terceira pessoa do trio pai, mãe e filho. Nos primeiros anos de vida, a criança ao dizer “eu”, ela significa de modo constitutivo “eu (minha mãe)”, ou “eu (meu pai)”, pois a noção da própria existência está, para cada um, concomitante associada a si mesmo situado em seu corpo, e relacionada com um Outro, que tem relação com outros. As primeiras entrevistas possibilitam ao analista estar em presença de um discurso – seja ele dos pais ou daquele do filho – que pode ser descrito “de alienado”, no sentido etimológico da palavra. De todo modo, pois, entende-se que ele não é o discurso do sujeito, legitimado, mas dos outros, ou da opinião. A experiência analítica por sua vez, visa permitir uma objetivação psicológica desse sujeito, que é a saída da criança de um discurso alienado, em muitos casos, apresentado por máscaras sociais. Seguramente, é comum aparecer na demanda dos pais, não somente uma demanda inconsciente que concerne ao seu próprio sintoma, mas também, ao sintoma da estruturação familiar.

As relações dinâmicas inconscientes pais-filhos, possuem valor estruturante sadio ou patogênico. Tal fenômeno induzido na escuta psicanalítca, denuncia certo limite da comunicação em transpor os limiares do dito pela palavra. Naquele ponto em que a linguagem termina, e a conduta motora continua a falar, quando se trata de “crianças perturbadas”, são elas que pelos seus sintomas, encarnam e presentificam as consequências de um conflito vivo, familiar ou conjugal, camuflado e aceito por seus pais. É a criança que suporta pelo não dito, o peso das tensões e interferências da triangulação pais-filhos, que recai sobre os últimos, as crianças, com efeito mais intenso, quanto mais se guarda ao seu redor, o silêncio e o segredo. Os sintomas de impotência que a criança pequena e o adolescente manifestam, são assim o porta-vozes de seus pais – uma ressonância às angústias ou aos processos reativos parentais. Quanto mais jovens são os seres humanos, maior a carga das inibições dinâmicas sofridas direta ou indiretamente por querelas dos adultos, uma vez que restringe o seu livre jogo de vitalidade emocional, e menos conseguem se defender criativamente delas.

É apreendido, que muitas vezes, a criança ocupa o lugar do sintoma no laço conjugal, ela que é convocada quando este encontra-se inconsistente, na tentativa de preencher uma falta, já que a relação de cada um dos parceiros frente ao Outro, não instituiu a complementariedade tão sonhada. E então, o que os pais desejam ou esperam de um filho? Em comum, que ele se torne um fetiche social, um aluno exemplar, com boas notas, rodeado de amigos e absurdamente feliz – sem faltas para mostrar no Social. Um número cada vez maior de crianças são trazidas à clínica, e a mesma questão me é imposta caso a caso: o que existe, pois de não comunicável em palavras que se imobiliza e fixa num sintoma? É para essa investigação que não cheguemos à nenhuma conclusão enquanto analistas, mas, que um problema seja lançado.

Mediante ao nó clínico que se configura um filho enquanto símbolo do “fruto do nosso amor”, é nele encarnado a promessa de responder ao ideal da perfeição e desejo dos pais de que ele viesse a completá-los. Ao psicanalista clínico, lhe é importante escutar para além do que é manifesto no discurso da queixa parental. Cabe sempre ao analista, escutar as lacunas do texto, e não o texto discursivo do enunciado (o dito) – escutar os tropeços nas palavras, os lapsos, isto é, as formações do inconsciente. Nesse sentido, o trabalho inicial a ser feito é com os pais, para assim possibilitar que eles reconheçam e suportem a alteridade do filho, que pela lógica dialética é, ao mesmo tempo, semelhante e absolutamente diferente deles.

Referências Bibliográficas:
DOLTO, Françoise. O caso Dominique. Editora WMF Martins Fontes, 1971, 2010;
DOR, Joel. Introdução à leitura de Lacan: O inconsciente estruturado como linguagem, 1985. Editora Artes Médicas Sul LTDA, Série Discurso Psicanalítico;
MANNONI, Maud. A primeira entrevista em psicanálise. Elsevier Editora Ltda, 1980, 2004;
VÉRAS, Maria. Artigo: A dialética da demanda e do desejo em Psicanálise com Crianças, 2019.

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O Consumismo como Forma de Adoecimento

No mundo contemporâneo consumir é a regra, dentro do sistema econômico, o consumo é parte de um processo mais amplo de produção de bens e serviços, assim como uma etapa na cadeia de organização do trabalho (meio de produção dos bens que serão consumidos). O consumo, dentro desta visão, é a aquisição daquilo que é necessário para a vida de cada um, e é visto como normal. Já o consumismo, por sua vez, seria o comportamento de comprar de forma descontrolada e exagerada (as vezes sem ter condições) produtos e serviços, e que muitas vezes são supérfluos. Estaríamos todos nos tornando consumistas? Afinal, quem vive somente com o que necessita? E quais os efeitos psicológicos de um comportamento consumista?

Na psicanálise chamamos o modo moderno de produção de bens e serviços de discurso capitalista. O discurso capitalista é responsável por estabelecer as regras das relações entre as pessoas e o mundo em que vivem, essa relação é sempre de compra e venda, tudo tem um preço. O ápice dessa ideologia veio com a célebre conclusão: “tempo é dinheiro”. O discurso capitalista assim contribui para a crescente construção de um mundo em que tudo precisa acontecer rápido (afinal perder tempo é perder dinheiro) e que a ansiedade se torna cada vez mais banal. Assim o capitalismo também transformou o consumo no meio através do qual o sujeito estabelece as bases de quem ele é, o que levou a jocosa inversão da fórmula de Descartes: “compro, logo sou”.

Consumir muito, a necessidade de não perder tempo e só saber se afirmar a partir do consumo, são apenas alguns dos efeitos do discurso capitalista que geram questões importantes e que tem impacto psicológico na vida das pessoas. É assim que o consumismo aparece associado a quadros de sofrimento psicológico e acaba por adquirir o status de vício. Assim como qualquer outro vício (fumar, beber, jogar e etc.) comprar se torna uma compulsão que não se pode controlar. Geralmente vinculado a quadros de ansiedade e depressão, ele funciona como uma forma de aliviar determinados sintomas, sempre numa tentativa de evitar algum tipo de sofrimento. Então a pessoa começa a comprar por estar estressada, por estar triste, por estar ansiosa, e com frequência o faz sem perceber. O consumismo se torna tão nocivo quanto qualquer forma de adoecimento mental, criando, ele mesmo, uma relação de sofrimento e dependência.

O mais perigoso do mundo contemporâneo é que o discurso capitalista normalizou os atos de consumo exagerado, ao ponto de estarmos quase todos vivendo como consumistas adoecidos. Somos a sociedade que, como descreveu Oscar Wild, “sabe o preço de tudo, mas não conhece o valor de nada”. Nesse sentido, a vida e os ensinamentos do filosofo grego Diógenes se tornam para nós imediatamente uma provocação. Integrante da escola cínica, pregava uma vida simples, vivida com humildade e ética. Era um crítico dos exageros e da vida valorizada apenas como meio de obtenção de objetos materiais. Conta-se que um dia esse homem extremamente desapegado foi visto no principal e maior mercado de Atenas, estava a olhar os objetos vendidos com muito interesse. Como as pessoas o conheciam, acharam aquilo estranho, até que alguém o perguntou: – Diógenes, o que você está fazendo aqui? Ao que o filósofo respondeu: – Estou olhando tudo que eu não preciso para viver.

Referências
SILVA, Paulo José Carvalho da; BEER, Paulo Antonio de Campos. Sobre o cinismo em um tempo de identificações irônicas. Trivium, Rio de Janeiro , v. 3, n. 1, p. 84-98, jun. 2011 . Disponível em http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2176-48912011000100009&lng=pt&nrm=iso. acessos em 12 fev. 2020.
TEIXEIRA, Vanessa Leite; COUTO, Luís Flávio Silva. A Cultura do Consumo: Uma Leitura Psicanalítica Lacaniana. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 15, n. 3, p. 583-591, 2010.

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Linhas do tempo e autocuidado feminino: salve as mulheres de todos os dias!

Aproveitando a data comemorativa do Dia Internacional da Mulher, compreendemos que as datas comemorativas são como rituais necessários para reflexões mais amplas. É fato que algumas mulheres adoram ser homenageadas no dia 8 de março e outras não gostam dos mimos que recebem, a exemplo de flores, produtos de beleza. Algumas relatam enorme insatisfação com as comemorações neste dia, ao passo que outras amam receber flores ou outros presentes. Esta rica diversidade nos mostra não apenas uma, mas algumas possibilidades de se ser mulher nos dias atuais. Há aquelas que realizaram seus sonhos com o casamento, com a constituição da família. Outras, por sua vez, nunca idealizaram se casar ou ter filhos e encontraram a sua realização no campo profissional. Algumas tiveram seus sonhos frustrados com a separação conjugal. Nem todas optaram pelos recasamentos. Há aquelas ainda com orientação sexual diversa do padrão heteronormativo. Estas e outras configurações caracterizam a mulher dos dias atuais, melhor dizendo, as mil possibilidades de se ser mulher.

Podemos falar sobre a constituição da condição feminina desde a infância, quando estávamos recebendo “educação de menina”, para “meninas”. “Menina feche as pernas!” “Sente direito”. “Menina, isto é brincadeira de menino. Venha aprender a cozinhar”. Sabemos que apesar deste estilo educacional não ser predominante hoje em dia, ainda preserva muitos de seus valores.

E quem não se lembra da primeira menstruação? E aquelas que não receberam orientação familiar ou de algum profissional, viviam verdadeiros pânicos até imaginando ter uma doença grave. E assim segue a lista das inquietações femininas diante das experiências nas mais diversas faixas etárias: a coleguinha preferida na escola, a professora predileta ou o professor predileto, o brinquedo tão sonhado no Natal, o primeiro namorado, o primeiro beijo, a primeira relação sexual, o primeiro emprego, a entrada na universidade, as rugas que começavam a se esboçar no rosto, os primeiros fios de cabelo branco, os hormônios à flor da pele, as mil e uma obrigações e poucas pessoas para compartilhar. Poderíamos, aqui, tecer uma linha do tempo da infância à velhice, mas precisaríamos contextualizar para os dias de hoje. Com a quebra de muitos paradigmas, o jeito de se educar as meninas hoje é bem diferente do que era décadas atrás. Está certo que muitas famílias ainda conservam o modelo tradicional. Muitas mudanças também estão nos relacionamentos amorosos. É muito diferente a ideia do casamento, já que nem todas hoje fazem a opção pelo “casamento tradicional”. Muitas vão morar com seus namorados antes de oficializarem a união. Muitos relacionamentos são temporários. Há até quem mantenha relacionamentos amorosos à distância, quando ambos estão geograficamente distantes. E conforme as mulheres vão envelhecendo, novas questões vão surgindo, muitas delas relacionadas com problemas de saúde, com dificuldades nos relacionamentos familiares, nos relacionamentos amorosos, nas relações profissionais e problemas financeiros.

É evidente que não é um caminho fácil se tornar mulher da infância à velhice. Nem tudo o que idealizamos conseguimos realizar. Algumas frustrações nos trazem dificuldades afetivas, sociais, até profissionais e nem todas as mulheres visualizam boas perspectivas para a resolução de seus problemas. O autocuidado é algo que tem sido muito negligenciado pela maioria das mulheres. Em muitas situações, determinados serviços só são procurados em casos de agravamento e nem sempre são levados com êxito. Falar da condição feminina nesta matéria nos levou, ainda, a abordar sobre a ausência de autocuidado pela maioria das mulheres com a sua saúde psicológica e saúde sexual. Em países como a Tailândia, hábitos cotidianos como ginástica íntima são passados de mães para filhas. Aqui, no Brasil é um tabu, pouca gente ouviu falar sobre este tratamento que é tão eficaz na cura de doenças como queda de bexiga, incontinência urinária, as conturbadas cólicas menstruais, os miomas, evitando algumas cirurgias ou o uso de medicamentos. A ginástica íntima associada ao apoio fisioterapêutico, com a simulação de um parto, prepara gestantes, com o uso de aparelhos; o que contribui com um parto menos sofrido. Melhorando muito o tônus muscular vaginal, aumenta também o apetite sexual. Quantas mulheres que se imaginavam frígidas ou que sentiam dores nas relações sexuais curam estes problemas com este tratamento! Como exige uma rotina diária de cuidados e costuma interferir em aspectos emocionais, não o indicamos para aquelas que não estão em atendimento psicoterapêutico, considerando que a grande maioria acaba desistindo dos exercícios por falta de motivação, por dificuldades com os parceiros, por não saberem lidar com a nova libido gerada ou por outros problemas emocionais. Este é só um entre tantos outros exemplos que podem ser explorados num atendimento psicológico para valorização do autocuidado e a busca de novos sentidos na vida de uma mulher.

Dedicamos este texto a todas as mulheres que, da infância à velhice, buscam se posicionar numa sociedade com valores por demais contraditórios, levando algumas a distintos processos de sofrimento. Quem não gosta de ser acolhida, entendida, valorizada? A Clínica Holos aproveita o Dia Internacional das Mulheres para expressar o quanto você, menina ou mulher, cliente dos nossos serviços ou seguidora de nossas redes sociais, é importante para nós. Através da confiança que nos deposita, cuidamos de muitas de vocês, com muito zelo e respeito. Que esta data seja comemorada por vocês do jeito que lhes convierem, seja recebendo flores, cartões, seja realizando manifestações políticas, seja recebendo um abraço, compartilhando experiências. De nós, recebam esta mensagem sobre a importância de cuidar de si. Salve as mulheres de todos os dias!

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“Carnavalizou e… O ano começou”

Há quem diga que o ano começa apenas depois do carnaval. Mesmo quem não participa da festa nos blocos ou desfiles espera esta data para poder ficar “offline”. Desde que as sociedades se configuraram houve a necessidade de uma festa, de alguns dias no ano, onde os sujeitos pudessem possam se despir de seus problemas e dilemas para vivenciarem os prazeres de gozar do corpo e das insignificâncias da vida.
Mas, há possibilidade de se despir de tudo o que lhe representa, vestir uma máscara ou fantasia que lhe caiba tão bem que lhe permita ser outra pessoa? E, o que fazer depois que o carnaval passar?

Carnavalizou
Se foram as tristezas e pendências
O ano passado acabou
E eu, para onde vou?

Vou colocar minha fantasia
Muito brilho, cores, só alegria!
Que se dane a tristeza, as dívidas, dessabores e agonia!
Quero viver toda a intensidade que me permite essa vida.

Muita música, bebida, comida
Amores…. muito mais do que me cabia
Todo mundo ria
Mas, o fim da tarde de terça acenava com ironia.

A noite clareava e, meu Deus!
A festa da carne acabou
A quarta-feira de cinzas chegou.

No seu espectro de preto e branco
Todo o brilho se lavou
Tentei tirar minha fantasia
Mas, percebi que nenhuma ali havia
Eu estava nu!
Evitando os reflexos e reflexões das máscaras que visto todos os dias
Dias Santos…
Para conviver com meus prantos.
Onde é que eles estavam?
Ou melhor, para onde eu e eles iremos?
Cadê a euforia, os amores e sabores, as rimas?
Que desencanto!
Aqui dentro ainda mora a magia daqueles dias
O que eu devo fazer é regar essa semente dia a após dia.
Tudo o que faz bem não dura pouco
Tem o tempo da existência da sanidade, para não nos deixar loucos.
Na grande avenida da vida nos cabe o barulho ou som de quantos trios elétricos desejarmos.
Na carne que vivemos cabem as ressacas, fantasias, brilho e suor que implicarmos.
Os confetes e serpentinas nos cabem serem jogados ao ar ou ficarem caídos ao chão.
Um feliz ano novo,
De novo.

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O Alcoolismo como sofrimento psíquico

“A escravidão do corpo é obra do destino e a escravidão da alma é obra do vício. O verdadeiro escravo é aquele tiranizado pelos seus próprios vícios.” (Epíteto)

O alcoolismo é uma doença grave e infelizmente comum em nossa sociedade. Se caracteriza pela falta de controle e/ou excesso na ingestão de bebidas alcoólicas e possui repercussões extremamente negativas na vida de um sujeito, podendo chegar a contribuir para perda de desempenho no trabalho, deterioração dos vínculos sociais, além de apresentar forte comorbidade com transtornos mentais como depressão e ansiedade. O alcoolismo se manifesta de diferentes formas de acordo com a personalidade e a estrutura psicológica de cada pessoa. Por isso, ao contrário do que se poderia imaginar, ser alcoólatra não significa necessariamente beber em quantidade, existem pessoas que só precisam de um ou dois copos de cerveja para desencadear um estado de embriaguez vinculado ao alcoolismo, o que se chama de intoxicação patológica ou idiossincrática. Já outras sentem a necessidade de beber todos os dias, inclusive em casa e sozinho, e não conseguem passar um dia sem ingerir álcool, caracterizado como síndrome de dependência.

Como diagnosticar o alcoolismo?

Como toda classificação patológica, deve-se levar em consideração os sintomas relevantes, mas também a duração e a intensidade destes. Algumas perguntas norteiam a anamnese: com que frequência a pessoa bebe? Que quantidade de álcool ingere normalmente? A bebida usualmente leva o sujeito ao estado de embriaguez extrema? Faz o sujeito adotar comportamentos agressivos? A bebida leva o sujeito a um estado de tristeza? Prejudica suas relações com a família e amigos? Atrapalha seu rendimento no trabalho? São algumas das perguntas que norteiam uma avaliação diagnóstica sobre o alcoolismo.

Tratamento do alcoolismo

O tratamento do alcoolismo pode ser realizado por diversos meios. Existe o tratamento com medicações psiquiátricas, com terapias, terapias em grupo, redes públicas de tratamento (CAPS) e grupos de apoio (Alcóolicos Anônimos). No caso da terapia, é possível para além da dependência química e do efeito biológico do álcool no organismo, que o sujeito entenda as causas que o levam a beber de maneira nociva. Abrindo o caminho para uma nova relação consigo e com a bebida, na qual possa superar os danos e limitações provocas pelo vício.

Para psicanálise, muitas drogas (lícitas ou ilícitas) entram da dinâmica psíquica do indivíduo como forma de lidar com a falta, a frustração, ou dificuldades para lidar com o real da existência. Substâncias psicoativas tendem a propiciar um momento de prazer ou um instante de apagamento das dores do sujeito, uma fuga (ou perda) da realidade. “Perda da Realidade na Neurose e na Psicose” é um texto de Freud de 1924 em que ele trata de como processos de neurose possuem características em comum com processos de psicose. Parece uma tendência do psiquismo humano se defender ao se afastar da realidade em busca de um mecanismo de prazer que torne o insuportável mais palatável.

O vício ocorre quando após a fuga a realidade retorna, o sujeito se vê obrigado a beber novamente para uma nova evitação e assim sucessivamente. Ao mesmo tempo, doses de álcool que antes eram suficientes começam a não bastar (o organismo começa a adquiri tolerância a bebida) e é preciso beber em maiores quantidades. O caminho leva a autodestruição, mas por que um organismo tenderia a se fazer mal? Em Além do Princípio de Prazer (1920) Freud indica que existe uma tendência pulsional no corpo que levaria a sua própria destruição, o inconsciente não é movido apenas pela obtenção do prazer, mas também para obtenção do desprazer e da destruição.

Segundo os psicanalistas Antônio Alves Xavier e Emir Tomazelli, em seu livro “O Idealcoolísmo”, o tratamento do alcoolismo é difícil pois o sujeito tende a ter uma relação de completude com a bebida, dificultando o apelo a qualquer ajuda ou auxílio, dessa forma a possibilidade de transferência com um psicanalista fica dificultada. Ainda assim, é possível haver sucesso no tratamento quando é possível humanizar o sujeito que faz a sua análise, auxiliando-o a entrar em contato com as insuportáveis faltas e frustrações de sua vida que contribuem para seu adoecimento. A difícil posição em que se encontra o alcóolatra pode mudar, é o que diz a psicanalista Virginia Galvão: “Através do processo de análise esta posição tende a se modificar, a confrontação com a falta pode passar a ser uma possibilidade, a partir das suas construções”. O fim do alcoolismo é a passagem para uma posição ética de responsabilidade pelo próprio sofrimento, posição que permite ao sujeito abandonar a posição de escravo em relação ao álcool, assumindo as diretrizes de sua vida.

Referências
XAVIER, A. TOMAZELLI, E. O Idealcoolísmo, Casa do Psicólogo, 2012.
FREUD, S. O Mal-estar na Civilização, Novas Conferências Introdutórias E Outros Textos {1930-1936}. Companhia das letras Vol.: 18, 2010.
FREUD, S. História de uma Neurose Infantil (“O Homem dos Lobos”), Além do Princípio do Prazer E Outros Textos {1917-1920}, Companhia das Letras Vol.: 14, 2010.
GALVAO, Virgínia Lúcia Britto S. Gozo e alcoolismo. Cogito, Salvador, v. 3, p. 91-93, 2001. Disponível em http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-94792001000100011&lng=pt&nrm=iso. acessos em 15 jan. 2020.

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Câncer, prevenção e consciência

Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças. Como característica principal, o câncer é quando uma das nossas células (unidade microscópica que compõe os nossos tecidos e órgãos) sofre uma alteração e passa então a se multiplicar descontroladamente podendo chegar a invadir outras estruturas do corpo, atrapalhando o seu funcionamento normal.

Como explicado anteriormente, devido a composição das células cancerígenas se aproximarem da composição de nosso próprio corpo, e estar intimamente ligado a ele, os tratamentos para esta doença podem ser tóxicos também para uma série de atividades naturais do organismo. Causando muitos efeitos colaterais.

Devido a amplitude de doenças que se enquadram como câncer, e as diversas possibilidades de locais primordiais para o seu surgimento, é difícil especificar o formato desta doença. Mas é sabido também, que costumeiramente o câncer é de difícil detecção nos seus estágios iniciais, isso quando ele está localizado em tecidos mais internos no organismo, pois costuma ser assintomático. Ao longo do seu desenvolvimento, o câncer pode atingir a corrente sanguínea, entrando em uma fase chamada de metástase, em que as células cancerígenas podem atingir diversos órgãos provocando males sistemáticos e onde o seu controle é muito mais difícil e sua evolução imprevisível.

Felizmente, avanços recentes na medicina vem diminuindo a mortalidade daqueles que sofrem com algum tipo de câncer e aumentando a expectativa de vida, mesmo nos casos em que não é possível curar por completo o paciente, dando a esta doença uma figuração de doença crônica.

Devido as dificuldades enfrentadas pelos pacientes durante o tratamento, a melhor forma de lidar com esta doença é através da sua prevenção e diagnóstico precoce. Segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer) Para prevenir é necessário estar atento aos fatores de risco, e alguns dos principais são: obesidade, tabagismo, uso de bebidas alcoólicas, falta de atividade física, exposição prolongada e sem proteção ao sol, exposição a radiação ionizante ou compostos químicos cancerígenos e hereditariedade.

Como a psicoterapia pode ajudar na prevenção ao Câncer?

Alguns dos hábitos não saudáveis listados entre os fatores de risco podem ter relação direta a demandas psicológicas. O tabagismo por exemplo é uma fuga utilizada por pessoas com questões de ansiedade em seu dia a dia. O abuso do álcool e alimentação desregulada também costumam ser presentes em pessoas com questões psíquicas mal resolvidas, que encontram na alimentação em excesso e no uso de substâncias psicoativas um refúgio das dores de suas rotinas.

A psicoterapia pode ajudar o indivíduo a elaborar as suas questões e eliminar vícios, auxiliando na adoção de um estilo de vida saudável o que previne o câncer.

Estudos recentes também indicam uma relação de aumento do risco de Câncer em pessoas ansiosas e depressivas, condições que afetam o funcionamento do organismo como um todo.

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Reflexões sobre o fim de ano – ansiedade, preocupação, tristeza e angústia

O Tempo

Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar
e entregar os pontos.

Aí entra o milagre da renovação
e tudo começa outra vez, com outro número
e outra vontade de acreditar
que daqui para diante tudo vai ser diferente.

Poesia atribuida à Carlos Drummond de Andrade

A venda de enfeites de Natal, viagens e de ingressos para festas no Reveillon anunciam o fim do ano e sintomas como ansiedade, angústia e depressão tendem a aumentar. Os mais diversos compromissos e metas determinados no início do ano são cobrados em seus resultados e eficácia e quando não foram alcançados, a frustração e ansiedade aumentam. Associado a essas cobranças ainda vem gastos extras com presentes e viagens ou passeios do fim do ano ou a cobrança de fazer alguma coisa diferente nesses dias de férias. Também vencem alguns impostos e outros pagamentos no início do Novo Ano o que pode gerar preocupações para os menos preparados.

A ansiedade, no entanto, se apresenta durante todo o ano. No ritmo acelerado que vivemos atualmente, em dose alta, porém, pode dificultar a vida cotidiana, diminuindo a capacidade de concentração, da execução das tarefas e do cuidado de si. Assim, cada vez mais pessoas buscam melhorar sua qualidade de vida, de sono e de suas relações sociais através de medicamentação psiquiátrica e psicoterapia. Frequentemente, as pessoas usam uma espécie automedicação para acalmar a ansiedade e angústia, essa realizada com medicamentos aos quais tem acesso ou álcool e outras drogas. Surgem também outras compulsões ao consumo ou atividades freneticamente exercitadas para anestesiar os desconfortos de corpo e alma. Aliviar os sintomas pode até trazer mais calma por um tempo, um sono mais tranquilo ou mais desempenho no trabalho, mas aprender a fazer escolhas, lidar com conflitos e suportar frustrações exige mesmo fazer mudanças, aceitar suas dificuldades e buscar aprender novas estratégias e recursos.

A ansiedade e suas companhias

A oferta ampla de informações via internet possibilita rápidas respostas a muitas perguntas e dúvidas, mas ao mesmo tempo pode confundir e deixar o leitor confuso. Assim, podem surgir dificuldades de escolher um tema de cada vez a ser lido, refletido e talvez compartilhado com alguém. Dessa forma, um acúmulo de pensamentos, desejos, e tarefas podem se emaranhar e sobrecarregar a capacidade de resolução. Em vez de acrescentar algo à vida da pessoa, podem produzir ansiedade, preocupação e estresse, gerando cobranças e frustração quando não se consegue encaminhamentos e êxito ou quando esse se estende para além das expectativas. Assim, trazem consigo frequentemente tristeza e irritação, promovendo efeitos negativos para a convivência na família e no trabalho podendo, como uma bola de neve, gradativamente agravar o estado emocional da pessoa.

Existe também a ansiedade por algo muito esperado, como, por exemplo, a visita de um amigo ou do início de uma viagem, que faz, talvez, que a pessoa não consiga dormir ou se concentrar bem até esse momento chegar, mas, uma vez chegado o momento esperado, a ansiedade termina. Ela não tem término previsto, no entanto, quando a pessoa tiver abarcado compromissos demais, tarefas a serem executadas em tempo mínimo ou curto demais. Assim, as preocupações e o medo de não dar conta, podem causar sintomas físicos, como taquicardia, dificuldades na respiração. Se não for cuidada, a ansiedade e estresse crônico podem gerar pressão alta, baixa resistência a viroses e outras doenças ou desatenção em seus movimentos que pode levar a acidentes ou exposição a riscos sem necessidade.

Alto nível de exigência e autocobranças

A necessidade de manter seu emprego e uma imagem de pessoa jovem, ativa, radiante e alegre sem problemas, com muitos amigos e curtidas nas redes sociais podem levar também a autocobrança e grande exigência em relação a imagem. Esses incluem preocupações e investimento num corpo que mostre força, jovialidade e sensualidade, de preferência isento de sinais de envelhecimento, e outros símbolos que atestam uma vida bem-sucedida. Estas exigências, são parte da época atual em que vivemos e trazem frustrações, já que exigem investimentos financeiros e de tempo e competem com a aceitação dos ciclos naturais da vida que implicam em perdas, como o envelhecimento.

Frustrações, tristeza e angústia

Lidar com frustrações não é fácil para ninguém. Caso a família não tenha podido oferecer recursos para enfrentar perdas, aprender como os erros ou fazer escolhas, precisa se buscar e experimentar orientações e recursos no mundo e na vida. Trata-se aqui de um processo de aprendizagem e amadurecimento, visto que escolher algo – e com isso perder aquilo que NÃO escolheu – traz geralmente conflitos e angústia. E quando a angústia se mostra através de um aperto no peito, um vazio inexplicável e/ou um mal-estar difuso é muito bom poder contar com alguém de confiança, seja um amigo ou um profissional como um psicólogo para superar um momento desse na vida.

Outra frustração frequentemente encontrada acontece quando se percebe que gostaria que o outro reagisse e se comportasse como esperado, frequentemente igual como nós mesmo. Mas, uma vez que o outro viveu sua própria história, tendo outros pais, escola, amigos e viveu então diferentes experiencias e aprendizados, é mais provável é que ele reaja diferente da forma que esperávamos. Por outro lado, adaptar-se para que o outro não fique triste ou chateado também nos priva de autorrealização, independência e motivação de viver. Assim, perceber que não temos poder sobre a reação do outro, pode provocar um sentimento de impotência, raiva ou tristeza, mas, também nos preparar para surpresas, experiências diferentes e uma ampliação de nossa visão de mundo.

Todo esse excesso, seja de informações, de pressa ou de dificuldades de perder, de refletir, analisar e dividir suas metas em etapas, termina restringindo o tempo em que a pessoa poderia se ocupar com sua trajetória de vida, dar sentido a ela, sonhar, fazer planos de ação, divididas em pequenos passos para poder comemorar cada etapa cumprida. E, também, caso o êxito não tenha sido possível, fazer os devidos ajustes dos planos de ação. Ao mesmo tempo, a ocupação intensa com a imagem e o consumo dificultam o aprofundamento nas relações. E é justamente a construção e o cultivo de amizades que podem oferecer recursos valiosos para superar e amadurecer através dos desafios e dificuldades que surgem no curso da vida.

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Dia de Combate Mundial à HIV\AIDS : uma contribuição a cerca do tema

A AIDS, Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (acquired immunodeficiency syndrome)É o estágio final da doença provocada pelo HIV, um vírus que causa graves danos ao sistema imunológico. O primeiro momento da epidemia da AIDS se deu em (1981-1984), a primeira notificação no Brasil ocorreu em 1984, crescendo de forma alarmante nos anos posteriores. Associado a epidemia que ocorreu nesse início, surge também a ideia de “grupo de risco”, que seriam grupos específicos mais propensos a serem portadores do vírus. Mas com essa noção também surge a discussão voltada para discriminação a esse grupo de pessoas e questões éticas envolvidas. Já que, ao pensar sobre a questão se tratando de uma doença sexualmente transmissível todos estariam propensos a adquirir o vírus.

A mudança do termo para “comportamento de risco”, trouxe uma responsabilidade maior para o sujeito e para a sociedade em si e, nesse sentido podemos pensar em uma implicação maior frente ao adoecimento.

Informações atuais sobre HIV\AIDS (2019 UNAIDS), indicam que no mundo cerca de 37,9 milhões de pessoas vivem com a doença. Considera-se dado significativo, pois, pode-se pensar com isso na mudança de posição da população com relação ao tema e também na adesão ao tratamento.

Com o diagnóstico de HIV, pode-se manifestar uma desestabilização emocional nesse sujeito, ocorrendo em alguns casos: angústia, medos, agressividade etc. Afinal, o sujeito se depara com algo novo e precisa de tempo para se reorganizar frente ao adoecimento do corpo. Pela incerteza, as vezes, outras vezes pelo preconceito (falta de conhecimento prévio), pelo controle da doença ou por diversos outros motivos os quais irão lhe impor limites, muitas vezes torna-se muito difícil de suportar.

A oferta da escuta psicológica nesses casos, serve como instrumento de construção de novo saber sobre si e a aposta é que o sujeito possa reinventar sua forma de viver.

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O mau humor constante pode ser princípio de alguma doença psicológica

Para muitas pessoas o mau humor constante é entendido como o jeito de ser do sujeito, algumas pessoas se reconhecem mau humoradas há anos, o que pode dificultar a procura por uma ajuda especializada nos casos em que o mau humor signifique algum transtorno psicológico, como a depressão, por exemplo.

Entendendo a depressão 

A depressão é um problema de saúde pública, considerada pela Organização Mundial de Saúde- OMS (2012) como o mal do século XXI que acomete quase 5% da população, representando mais de 350 milhões de pessoas em todas as regiões do mundo.

Segundo o psiquiatra Shekha Saxena (2012), diretor do Departamento de Saúde Mental e Abuso de Substâncias Psicoativas da OMS, as mulheres são mais propensas a sofrerem com a depressão, 50% a mais do que os homens, sendo atribuída essa prevalência à depressão pós-parto que afeta até uma mãe em cada cinco.

A OMS afirma que essa doença é crescente na população e que é fruto da interação de fatores sociais, psicológicos e biológicos e em algumas ocasiões está relacionada com a saúde física. 

Saxena (2012) afirma ainda que mais de 50% das pessoas que cometeram suicídio sofriam de depressão.

A OMS chama a atenção para a necessidade de o indivíduo admitir a doença, procurar ajuda e um diagnóstico precocemente: “Quanto antes for iniciado o tratamento, mais eficiente ele é”, diz a OMS. 

Como diagnosticar se o mau humor constante tem relação com a depressão

O Transtorno Depressivo Maior – TDM causa sofrimento e imobilidade no indivíduo. O Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais, em sua quinta edição, DSM-5 (APA,2014) define critérios para o diagnóstico: “ A característica comum é a presença de humor triste, vazio ou irritável, acompanhado de alterações somáticas e cognitivas que afetam significativamente a capacidade de funcionamento do indivíduo”. Para que o TDM seja diagnosticado o indivíduo deve apresentar cinco ou mais dos sintomas elencados no item “ A”, ipsis litteris, transcritos abaixo: 

  1. Cinco (ou mais) dos seguintes sintomas estiverem presentes durante o mesmo período de duas semanas e representam uma mudança em relação ao funcionamento anterior; pelo menos um dos sintomas é (1) humor deprimido ou (2) perda de interesse ou prazer. 

1.Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, conforme indicado por relato subjetivo (p. ex., sente-se triste, vazio, sem esperança) ou por observação feita por outras pessoas (p. ex., parece choroso). (Nota: Em crianças e adolescentes, pode ser humor irritável.) 

2.Acentuada diminuição do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades na maior parte do dia, quase todos os dias (indicada por relato subjetivo ou observação feita por outras pessoas). 

3.Perda ou ganho significativo de peso sem estar fazendo dieta (p. ex., uma alteração de mais de 5% do peso corporal em um mês), ou redução ou aumento do apetite quase todos os dias. (Nota: Em crianças, considerar o insucesso em obter o ganho de peso.) 

4.Insônia ou hipersonia quase todos os dias. 

5.Agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias (observáveis por outras pessoas, não meramente sensações subjetivas de inquietação ou de estar mais lento). 

6.Fadiga ou perda de energia quase todos os dias. 

7.Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada (que podem ser delirantes) quase todos os dias (não meramente auto recriminação ou culpa por estar doente). 

8.Capacidade diminuída para pensar ou se concentrar, ou indecisão, quase todos os dias (por relato subjetivo ou observação feita por outras pessoas). 

9.Pensamentos recorrentes de morte (não somente medo de morrer), ideação suicida recorrente sem um plano específico, uma tentativa de suicídio ou plano específico para cometer suicídio. 

O número e a gravidade dos sintomas classificam o episódio depressivo em três graus: leve, moderado e grave. Os critérios mínimos para o diagnóstico de episódio depressivo envolvem dois dos três sintomas principais (humor deprimido, perda de interesse ou prazer e energia reduzida), podendo ser acompanhados de outros sintomas, tais como redução da concentração e atenção, assim como, da autoestima e da autoconfiança, aliados a prejuízos funcional ou social.

Para Wright et al. (2012) a desesperança é um sintoma central da depressão, sendo uma cognição especialmente danosa, com comportamentos desadaptativos.

A depressão pode sugerir a ideação suicida e o consumo do ato devido a complexa mistura de fatores biológicos, cognitivos, emocionais, ambientais e espirituais.

Tratamento para o mau humor constante

Segundo a OMS (2012) o tratamento para a depressão perpassa pelas áreas psicossociais e farmacológicas, sendo essencial a participação ativa das pessoas deprimidas e de seus parentes. 

Em ampla escala, o tratamento da depressão deveria começar com a psicoeducação nas escolas e em outras instituições da sociedade, sobre o transtorno da depressão maior.

A Organização Mundial da Saúde (OMS, 2001) prevê que, até 2020, a depressão será a segunda maior causa de incapacitação para o trabalho, perdendo apenas para doenças cardíacas. Por ser um fenômeno crescente, atingindo públicos amplos sem distinguir sexo, classe econômica ou faixa etária, não é exagero referir-se a ela como o mal do século XXI.

A pessoa deprimida possui mau humor constante, uma visão negativa de si mesma, uma visão negativa do presente e uma visão negativa do futuro; visões perceptivas que reforçam a desesperança.

A desesperança é uma cognição, uma crença de um futuro sem perspectivas. O indivíduo que apresenta crença de desesperança tende a prever o futuro sem expectativas, perde a motivação pela vida e seu desejo de viver é arruinado.  Assim, o paciente com desesperança se percebe anormal, defeituoso, falho e, diante disso, acredita que não tem valor, subestimando suas potencialidades (Beck et al., 1997). 

A psicoterapia ajudará a pessoa com mau humor constante, tristeza profunda, depressão, etc, a avaliar melhor as reais circunstâncias das suas experiências, dores e dissabores, proporcionando ao paciente novas perspectivas, visando uma interpretação mais positiva de suas interações com o ambiente.

Marbackl e Pelisololl (2014) concluem que a aliança terapêutica é o foco fundamental, que vai amparar estratégias mais objetivas como resolução de problemas, busca de apoio social, manejo de impulsos e prevenção à recaída. 

Perceba como está o seu humor e se precisar não hesite em fazer contato com a Clínica Holos, estaremos prontos para te ajudar!

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O que é câncer de próstata e como tratar

O que é câncer de próstata?

Se você tem dúvidas sobre o que é câncer de próstata, saiba que ele é o segundo câncer mais comum entre os homens, estando logo atrás do câncer de pele, que é o primeiro e mais frequente. É caracterizado pela formação de um tumor que só atinge os homens, pois somente estes possuem a glândula prostática. 

A próstata fica localizada próxima à bexiga e é responsável pela produção do líquido que compõem o sêmen, vale ressaltar que essa não é responsável pela ereção e nem pelo orgasmo masculino, porém a sua função é tão quanto importante para que esses fenômenos aconteçam.

Agora que você já sabe o que é câncer de próstata, veja como preveni-lo e como tratá-lo. Continue a leitura com a gente!

Como prevenir o câncer de próstata?

A melhor forma de se prevenir o câncer de próstata é realizando consulta com o urologista. De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, todos os homens com idade a partir de 50 anos devem realizar o exame de PSA e realizar também o exame de toque, anualmente. Caso tenha antecedentes familiares de câncer, recomenda-se que as consultas com um urologista comecem aos 45 anos. Contudo, nada impede que os homens realizem consultas antes dessas idades recomendadas.

Quais são os tratamentos recomendados para o câncer de próstata?

Agora que você já sabe o que é câncer de próstata e como preveni-lo, entenda as formas de tratamento para esta doença.

O tratamento para esse tipo de câncer acontece de forma específica para cada fase da doença. Por isso a consulta com o profissional médico urologista é de extrema importância para que seja definida a conduta de tratamento. Existem possibilidades como cirurgia, quimioterapia e radioterapia, que serão definidas de forma individualizada para cada paciente.

Além dessas possibilidades de tratamentos, inclui-se a presença de fisioterapia e psicoterapia para auxiliar na recuperação e evolução de cura.

Como a psicologia atua no tratamento do câncer de próstata?

A psicoterapia entra como um forma de tratamento muito importante, no qual é oferecido ao paciente um espaço para que possa falar sobre o processo de doença e elaborar junto com o psicólogo as demandas que cercam esse contexto de saúde/doença.

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