Como superar a dor da perda de um ente querido?

Quando ouço esta pergunta entendo que a pergunta por trás desta pergunta é: “Como parar de sofrer por algo ou alguém que perdi?”

No meu entendimento curamos um braço machucado, substituímos um jarro quebrado, mas as questões da ordem da emoção não acabam. Entendo que superar a dor da perda passa por uma ressignificação quando nos permitimos uma maior compreensão sobre a vida e consequentemente sobre a morte também.

Se você deseja ter uma maior compreensão sobre a dor da perda e a aceitação da morte, continue a leitura deste artigo.

A morte faz parte do ciclo da vida

Vida e morte são dois pólos da mesma moeda. Como o claro dá sentido ao escuro, a morte dá sentido à vida e vice-versa. Desde que nascemos a única certeza que temos é que morreremos um dia. 

Muitas culturas mais sábias do que a nossa inclusive incluem a morte em seu cotidiano. Os povos do antigo Egito, já se preparavam para a morte como uma continuação da vida. No México, as pessoas mantêm a tradição de comemorar o “Dia dos mortos”, tradição herdada dos Astecas, Maias, Purépechas, Totonacas, Náuatles e outras civilizações que prestavam homenagem à “Dama da Morte” e ao “Senhor dos Mortos”. Diferente dos nossos rituais que são fúnebres, tristes e de negação, lá eles celebram a vida vivida, com cores, música, dança, etc.

Lembro que durante uma viagem ao Tahiti, passando pelas casas das pessoas, percebi que em algumas delas, nos jardins, tinha uma espécie de mesa de picnic mas que se assemelhava à túmulos. Curiosa que sou, descobri que era uma prática comum eles enterrarem seus mortos no jardim da casa e os encontros familiares eram mantidos em torno da mesa/tumba com a presença dos vivos e dos mortos juntos. 

É necessário entender a dor da perda

Refletindo sobre as muitas diferentes formas de lidar com a morte, percebo que são rituais, praticados por culturas que desenvolveram uma capacidade de viver a vida para além dos nossos valores ocidentais, onde o deus é o capitalismo, o verbo conjugado é o TER e o exercício diário é a prática do concreto e objetivo. Desta forma, como é possível lidar com a subjetividade e o desconhecido da morte sem vivenciarmos o sofrimento referente a questões mais profundas? 

Toda morte, seja a perda de um ente querido ou outra perda qualquer, de algo ou alguém que nos foi valioso, deve ser validada e entendida como um “PARA QUE”. Como uma possibilidade para enxergarmos algo que nos mova para novas construções, nos apoiando nas experiências vividas. Como somos de uma cultura ocidental, tendemos a buscar os “POR QUÊS” e inevitavelmente caímos nas culpas e nas nossas impotências. E para os “por quês”, talvez tenhamos muitas respostas ou nenhuma.

Como superar a dor da perda

Em uma entrevista, com imagens em vídeo, feita pela BBC em 1959, Carl Gustav Jung (1875-1961), psiquiatra suíço e fundador da Psicologia Analítica, em sua sabedoria, afirmou “que não sabia o que a morte era exatamente, mas sabia que a psique não está confinada aos domínios do tempo e do espaço”. 

Para finalizar, enfatizo que como a morte dá sentido à vida, a dor da perda e o sofrimento são possibilidades de superação e de ressignificação da nossa existência. Que possamos trocar a “PERDA” pelos muitos ganhos vividos e que estes nos sustentem e nos façam atuar de forma construtiva enquanto estivermos por aqui…

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Abordagem Junguiana