Perfeccionismo é um defeito? Saiba quando esta característica ultrapassa a “normalidade”

“A vida é como andar de bicicleta”

Albert Einstein

Falar sobre questões tão subjetivas não é tarefa fácil. Por isso, vou utilizar a frase do Einstein, para expressar mais claramente minhas reflexões. Antes de falar se o perfeccionismo é um defeito, cabe esclarecer o que chamo de “normalidade” e/ou “anormalidade”.

Entendo que anormalidade não é um conceito moral, mas sim tudo o que nos limita e nos tira da vida. Einstein, na sua sabedoria, tentou expressar numa simples frase o que é a vida: movimento! Pois, parar/estagnar é morrer! Não falo aqui da morte física, mas da morte psíquica. Quando paramos em um relacionamento, em um trabalho ou em outra questão, de certo modo ficamos “aprisionados”.  Desta forma, seja por medo, insegurança ou outra necessidade, deixamos de estar na vida e nos limitamos a um mundo pequeno e sufocante.  

Tudo na vida pode ser olhado por dois lados: bem e mal, rico e pobre, certo e errado, normal e anormal, equilíbrio e desequilíbrio, etc. Estes conceitos são relativos e eles se complementam dando sentido um ao outro. Mas se para colocarmos a bicicleta em movimento, precisamos de equilíbrio, como poderíamos pensar no desequilíbrio de forma positiva? E o que tudo isto tem a ver com o perfeccionismo? Siga na nossa leitura e descubra!

E então, o perfeccionismo é um defeito? 

Entendo que o perfeccionismo é uma necessidade interna de mantermos as coisas “em ordem” de acordo com uma idealização e exigência íntima: ser bom aluno, bom profissional, boa mãe, bom filho, etc. Criamos uma imagem de que seremos reconhecidos, valorizados e até amados se atingirmos certas expectativas. Mas expectativas de quem? Expectativas que nós mesmos criamos do que achamos que os outros esperam de nós? Será que deixaremos de sermos amados se tirarmos nota baixa na escola ou se perdermos o vestibular ou se deixarmos os pratos sujos na pia quando estamos muito cansados depois de um dia exaustivo de trabalho?

Acreditamos, até inconscientemente, que sim! Na maioria das vezes, estas construções estão dentro de nós mesmos e quando acreditamos que não obtivemos o reconhecimento do outro, nos frustramos e então idealizamos mais e mais “perfeições” como tentativa de sermos “enxergados” e validados. 

Desta forma, ficamos fixados e paralisados em nossas necessidades idealizadas, sempre cansados, sem tempo para nós mesmos, nunca tendo o reconhecimento dos outros e ainda acreditando que estamos na vida e somos insubstituíveis!

É como se tivéssemos uma bicicleta, talvez a mais bonita, a mais cara, lavamos, lustramos, cuidamos, até sabemos que ela está ali para ser usada, mas vamos sempre deixando para depois… E quanto ao verdadeiro passeio? Será que não caberia aí um “desequilíbrio” no sentido de subir na bicicleta, deixar de lado os tantos cuidados e afazeres para podermos experimentar a vida no que é mais simples e que está ao alcance e todos nós? O vento na pele, o sol no rosto, o cheiro do dia, o escuro da noite, a perna cansada, a excitação da velocidade, a pulsação da vida dentro de nós!!!

Não temos tempo a perder! A vida passa! E passa muito rápido! Cabe a nós fazermos escolhas… Optaremos por estarmos “equilibrados” em cima de “uma bicicleta” vivendo o movimento da vida ou optaremos por vivermos supostamente “equilibrados” funcionando a serviço de nossos aprisionamentos?   

 

“Minha vida é como um livro.

Cada dia uma página,

a cada hora um novo texto,

a cada minuto uma palavra,

E neste segundo um SIM ou NÃO

que pode mudar minha história”.

(Elan Klever)

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Abordagem Junguiana