Setembro Amarelo: Mês da Prevenção ao Suicídio

O suicídio é um fenômeno social devido ao impacto que ele provoca nos familiares, amigos e na sociedade como um todo, considerando a relação Homem-Sociedade defendida por Durkheim, o suicídio pode ser considerado uma ação pública com efeitos privados, visto que não é o indivíduo que se mata e sim a sociedade através dele.

Números e estaísticas

O suicídio é um tema que mobiliza por significar a interrupção do ciclo da vida. Estudos comprovam que o ato suicida é crescente e as pesquisas não apontam procedimentos eficazes para contê-lo. Contudo, o manual do suicídio de Neury Botega oferece aos profissionais da área de saúde, mecanismos para identificarem a ideação suicida, na tentativa de reduzir o número de suicídios no Brasil – 32 / dia.

Segundo dados da OMS (2014) mais de 800 mil pessoas cometem suicídio no mundo a cada ano. A cada 40 segundos uma pessoa, e estima-se que para cada pessoa que consegue realizar o ato de matar-se, vinte tentam e não conseguem. É a segunda causa de morte entre pessoas com 15 a 29 anos.

Motivações que levam ao suicídio

Para Marback e Pelisoli (2014), o comportamento suicida envolve ideação, planejamento, tentativa e suicídio propriamente dito, comportamentos em geral motivados por crenças de desesperança, caracterizada por uma visão de futuro vazio, sem perspectivas.  

A Comissão de Prevenção de Suicídio da Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP (2009) chama atenção para as situações de vulnerabilidade como a depressão, isolamento social, crise conjugal e familiar e outros transtornos psíquicos.

Contudo, deve-se observar que a vinculação do ato suicida, como regra, à um transtorno mental, é uma forma de reduzir o sofrimento, a angústia e a desesperança à falta de saúde mental, como se a falta de perspectivas e sentido para o indivíduo continuar vivo pudessem ser enquadradas.

Essa leitura reducionista poderia aquietar a sociedade e o tema suicídio deixaria de ser discutido por outras questões e perspectivas, sendo vinculado apenas aos transtornos mentais, rotulando, ainda mais, as pessoas que o cometem.

Prevenção e posvenção do suicídio

Nós psicólogos devemos estar vigilantes e perceptivos a qualquer sinal de angústia e desesperança, visando organizar os pensamentos negativos das pessoas que, por ventura, apresentem sinais de ideação suicida, ressignificando as suas distorções cognitivas, agindo preventivamente e defendendo a ideia de que a saída para o sofrimento está na própria vida.

Se não for possível evitar essa decisão, a posvenção precisa ser realizada com o empenho necessário aos familiares dos que se foram e, principalmente, aos sobreviventes de si mesmo.

 

Iêda Domitilo

Psicóloga, Esp. em Psicologia Clínica: TCC, Esp. em Administração de RH.

 

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