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É normal sentir vontade de morrer?

Não! 

O olhar sobre a vontade de morrer não deve ser considerado a partir de um modelo de normal ou patológico, mas sim a partir do que se tem de comum ou excepcional no repertório comportamental de uma sociedade.

Tentando trazer de uma forma mais clara e compreensiva, podemos considerar que em algum momento da vida seja comum a fala sobre a vontade de morrer, principalmente diante de situações conflituosas, assim como, é comum acordarmos em algum dia com o sentimento de tristeza, sem vontade de fazer nada. Essas falas e sentimentos não podem ser imediatamente definidos como um desejo suicida, mas sim como uma inabilidade de resolução de conflitos ou até a possibilidade de uma alteração de humor.

Contudo, não podemos associar a vontade de morrer a vontade de se matar. A vontade de morrer é um desejo de que a vida termine por si só, já a vontade de se matar, é o desejo de acabar com a própria vida, um desejo suicida. 

Esses pensamentos são sim muitas vezes os mais recorridos em momentos de desespero, passando a ser comum, porém ele não deve ser banalizado e nem menosprezado.

Principais tratamentos para quem sente vontade de morrer

Se existe uma recorrência ou fixação nesses pensamentos como única alternativa de resolução de problemas, deve-se ligar o alerta e buscar ajuda imediatamente. 

Os profissionais da Psicologia são treinados e estão disponíveis para explicar e ajudar de forma clara e compreensiva a identificar esses pensamentos, organizar as ideias, assim como tentar construir os motivos, causas, impactos, os sinais e sintomas que cercam todo esse contexto. Permitindo um lugar de fala com segurança e acolhimento.

Gostou do nosso artigo? A Clínica Holos tem orgulho de oferecer os melhores tratamentos na área da psicoterapia. Ligue-nos ou agende uma visita.

 

Tarcísio Martins

Psicólogo, atuando na clínica em Saúde Mental e Contexto Social, com atenção aos usuários de substâncias psicoativas e dispositivos de cuidados. Atende adolescentes, adultos, casais, família, pacientes positivos, grupo LGBT e idosos, assim como pacientes oncológicos em situação de internação no contexto hospitalar. Fundador do projeto Clipas – Clínica em Psicologia e Atendimento Social e Especializando em TCC.

CRP: 03/13946

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Setembro Amarelo: Mês da Prevenção ao Suicídio

O suicídio é um fenômeno social devido ao impacto que ele provoca nos familiares, amigos e na
sociedade como um todo, considerando a relação Homem-Sociedade defendida por Durkheim o suicídio pode ser considerado uma ação pública com efeitos privados, visto que não é o indivíduo que se mata e sim a sociedade através dele. Durkheim ainda constatou que quanto maior a intensidade do vínculo de pertencimento a um grupo solidamente constituído, menor é a probabilidade de ocorrência de suicídio.

Números e estatísticas

É um tema que mobiliza por significar a interrupção do ciclo da vida. Estudos comprovam que o ato
suicida é crescente e as pesquisas não apontam procedimentos eficazes para contê-lo. Contudo, o manual do suicídio de Neury Botega oferece aos profissionais da área de saúde, mecanismos para identificarem a ideação suicida, na tentativa de reduzir o número de suicídios no Brasil – 32 pessoas a cada dia-.

Observa-se que a falta de uma discussão exaustiva sobre o suicídio e suas vulnerabilidades, não impede o aumento do óbito por essa causa. Considera-se necessário tentar entender as motivações que levam um crescente número de pessoas (homens, mulheres, adolescentes e até mesmo crianças) a atentarem contra a própria vida, todos os dias, em diferentes regiões do mundo, seja em grandes metrópoles ou em pequenos vilarejos, e em muitos casos obterem êxito.

Segundo dados da OMS (2014) mais de 800 mil pessoas cometem suicídio no mundo, a cada ano. A cada 40 segundos uma pessoa e estima-se que para cada pessoa que consegue realizar o ato de matar-se vinte tentam e não conseguem. É a segunda causa de morte entre pessoas com 15 a 29 anos no planeta – a primeira é a violência. O Ministério da Saúde, 2018, divulgou que no Brasil o suicídio é a quarta causa de morte nessa faixa etária. Ainda de acordo com a pasta, existem causas que não ficam claras se seriam acidentes ou se a pessoa teria provocado a própria morte, o que aumentaria esses números.

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (2019), trouxe algumas crenças equivocadas sobre o suicídio, apresentadas por Botega (2015), com base nas informações da World Health Organization (WHO,2014), que podem dificultar as ações de prevenção. São elas:

  • Se eu perguntar sobre suicídio, poderei agir de modo a induzir a pessoa;
  • A pessoa ameaça se suicidar apenas para manipular;
  • Quem quer se matar se mata mesmo;
  • O suicídio só ocorre quando há uma doença emocional;
  • No lugar dele, faria o mesmo;
  • Veja se da próxima vez você acerta;
  • Quem conclui o ato é bem diferente de quem apenas tenta;
  • É difícil mudar.

Ainda segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (2019), entre os países da
América Latina, o Brasil ocupa o oitavo lugar em coeficiente de mortalidade por suicídio por 100 mil
habitantes. Contudo, a análise de números absolutos indica que o Brasil permanece entre os 29 países em que há um constante aumento do suicídio. Um estudo de seguimento realizado a partir de 1980 mostra um aumento de 21% até o ano 2000 e de 29,5% até 2006 (BOTEGA,2015).

O maior índice de aumento do suicídio no Brasil se encontra na região Norte, com um aumento de 77,7%. Na região nordeste, o crescimento também é expressivo sendo 51,7%; os estados da Paraíba e da Bahia superaram em mais de duas vezes a média nacional.

Motivações que levam ao suicídio

Para Marback e Pelisoli (2014), o comportamento suicida envolve ideação, planejamento, tentativa e suicídio propriamente dito, comportamentos em geral motivados por crenças de desesperança, caracterizada por uma visão de futuro vazio, sem perspectivas.

A Comissão de Prevenção de Suicídio da Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP (2009) chama atenção para as situações de vulnerabilidade como a depressão, isolamento social, crise conjugal e familiar e outros transtornos psíquicos.

Contudo, deve-se observar que a vinculação do ato suicida, como regra, à um transtorno mental, é uma forma de reduzir o sofrimento, a angústia e a desesperança à falta de saúde mental, como se a falta de perspectivas e sentido para o indivíduo continuar vivo pudessem ser enquadradas.

Essa leitura reducionista poderia aquietar a sociedade e o tema suicídio deixaria de ser discutido por outras questões e perspectivas, sendo vinculado apenas aos transtornos mentais, rotulando, ainda mais, as pessoas que o cometem.

Prevenção e posvenção do suicídio

Para a prevenção deve-se observar:

Mudança no olhar – o suicida não quer se matar, o suicida quer se livrar do sofrimento;
Sinais de alerta – preocupação com a morte, comentários (vou desaparecer, queria nunca mais acordar, vou deixar vocês em paz, etc.), isolamento, desfazer-se de objetos, tranquilidade repentina, dentre outros.

O que se deve fazer

Olhar para os lados, perceber as pessoas, acolher, verificar as queixas, orientar ajuda profissional
especializada, identificar rede de apoio (família, religião, amigos), abraçar.

O que NÃO se deve fazer

  • Condenar- covardia, fraqueza.
  • Banalizar- subjetividade do sofrimento.
  • Dar opinião: falta de Deus, quer chamar atenção.
  • Brigar- você não pode fazer isso!
  • Frases prontas – “a vida é boa”.

Para a posvenção

Empatia, escuta, ter noção objetiva ou subjetiva do tamanho do problema, valorização/ reconhecimento do sofrimento, estratégias para companhia, acompanhamento psicológico.
Os psicólogos devem estar vigilantes e perceptivos a qualquer sinal de angústia e desesperança, visando organizar os pensamentos negativos das pessoas que, por ventura, apresentem sinais de ideação suicida, ressignificando as suas distorções cognitivas, agindo preventivamente e defendendo a ideia de que a saída para o sofrimento está na própria vida. Se não for possível evitar essa decisão, que a posvenção seja realizada com o empenho necessário aos familiares dos que se foram e, principalmente, aos sobreviventes de si mesmo.

Quem substituiu Beethoven?

Quem substituiu Rembrandt?

Quem substituiu Ayrton Senna?

Quem substituiu João para Maria?

Você também é insubstituível. Ninguém vai substituir você!

DISQUE 188 – CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA/CVV

Veja também:

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Setembro Amarelo – Luta pela prevenção ao suicídio

De acordo com o Ministério da Saúde, alguns dados alarmantes mostrados no Boletim Epidemiológico de Tentativas e Óbitos por Suicídio no Brasil, reforçam a necessidade de campanhas como o Setembro Amarelo, e mostram a gravidade do suicídio no cotidiano do povo brasileiro.

De acordo com o boletim, existe uma alta taxa de suicídio cometido por idosos com mais de 70 anos no Brasil. Foram registradas a média de 8,9 mortes por 100 mil pessoas nestes últimos seis anos. A média nacional era de 5,5 mortes por 100 mil pessoas.

Outro índice alarmante de suicídios se encontra entre os jovens, principalmente homens e indígenas. E para auxiliar o combate deste mal em crescimento no nosso país, que explicaremos neste artigo a importância da prevenção ao suicídio e do Setembro Amarelo.

Você sabe o que é Setembro Amarelo?

O Setembro Amarelo é uma campanha realizada pelo Centro de Valorização da Vida, e tem como intenção promover o diálogo a respeito do suicídio entre a sociedade. A campanha existe desde 2015 e vem sendo uma importante iniciativa de promoção da conscientização da prevenção ao suicídio.

No mundo inteiro estima-se que uma pessoa se suicida a cada 40 segundos, sendo no Brasil a quarta causa de morte entre jovens de 14 a 22 anos. E mesmo com número tão alarmantes como esse, o assunto ainda permanece como tabu na sociedade, o que confere ao tema características marginais às discussões. Ao não discutir o tema este torna-se refém do silêncio e falta de conhecimento, o que fatalmente incorre no aumento da estatística.

Como foi o início do Setembro Amarelo

O casal Dale Emme e Darlene Emme viveram uma grande tragédias em suas vidas, quando o seu filho Mike de apenas 17 anos se suicidou no ano de 1994. Mike era conhecido por ser um rapaz caridoso, e havia restaurado um mustang 68 e o pintado de amarelo, ao qual mantinha um grande apreço. Em seu funeral uma cesta de cartões com fitas amarelas foi colocada ali para quem quisesse pegá-los, e neles havia a mensagem: se você precisar, peça ajuda.

Os cartões se espalharam por todo os Estados Unidos da América, e em pouco tempo muitas ligações foram feitas por pessoas que precisavam de auxílio psicológico. Desde então a fita amarela foi escolhida como um símbolo do programa de auxílio à pessoas que tem pensamentos suicidas.

Qual a importância do Setembro Amarelo?

Estudos indicam que 90% dos suicídios no mundo poderiam ser evitados caso houvesse um tratamento médico adequado para as suas vítimas, e que 60% das pessoas que morreram por suicídio não buscaram ajuda. O Setembro Amarelo é uma campanha de prevenção ao suicídio, e tem desempenhado o papel  de propagadora e disseminadora de informação sobre o assunto no Brasil, onde nas casas de família e relações da sociedade, comportamentos suicidas não são percebidos, e se vistos, são diminuídos ou desacreditados.

Se traçássemos um paralelo entre a depressão e o comportamento suicida com outras doenças “convencionais”, conseguiríamos destacar o quanto o suicídio é amplamente ignorado em nossa sociedade.

Imagine se acontecesse de 60% das pessoas com fraturas decidissem não ir ao médico? Ou ainda, se 60% de pacientes com apendicite decidissem não ter o tratamento adequado? Todos nós na sociedade temos a nossa parcela de culpa nos números crescentes do suicídio, pois decidimos não falar sobre o assunto.

Números apontam que 17% dos brasileiros já pensaram seriamente em cometer suicídio, e que 4,8% chegaram a planejar como o fariam.

O suicídio é um comportamento ocasionado por uma doença psicológica grave, e deve receber a importância que é dada a uma doença grave fisiológica. É necessário que espalhemos a importância do Setembro Amarelo e disseminemos a conscientização sobre a prevenção ao suicídio.

Seja participante deste movimento e colabore com a promoção desta campanha voltada para ajudar a quem precisa. Esteja atento aos seus parentes e amigos, e os encoraje a procurar um tratamento adequado caso seja necessário.
Veja também:

Sintomas de depressão – Para quais sinais devemos ficar alerta?

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